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sexta-feira, 5 de junho de 2020

Tempo de trevas e escuridão e de uma tristeza profunda!..., por António Júlio Sarmento

Tempo de trevas e escuridão e de uma tristeza profunda!

Maio, está acabar, Junho vai começar é o pronuncio de melhores dias e do verão.

Mas no século passado, o mês de Junho era o mês de enaltecer, Portugal Camões e a Raça.

Avô, porque está aqui esta fotografia da Praça do Comércio, com tanta gente e tanta tropa?

Pedro o Avô vai-te contar, mais este episódio triste da nossa História.

Salazar com a mania de propalar aos quatro ventos, que estava tudo bem e orgulhosamente sós levou o País, para uma guerra, sacrificando durante anos a juventude deste País.

Se todos os dez de Junho, que aconteceram, durante os treze anos de guerra colonial fossem postos em filme, ele seria um passar de cenas cheias de tristeza e drama.

Mães e viúvas com um misto de desgraça e tristeza pungente e dramática, por causa de uma de uma ideologia retrógrada e nacionalista.

E assim durante anos no dez de Junho, lá assistíamos ao triste espectáculo de Mães, Pais e noivas,carregados de um negro e pungente luto.

Lá iam tristes e chorosos receber, das mãos de altas individualidades em poses bacocas umas medalhas de guerra, como isso atenuasse e saldasse a tristeza e perda dos seus queridos filhos. 

Guerra maldita, mas era preciso mostrar ao mundo, que neste País à beira mar plantado, estava tudo bem e feliz.

E assim durante treze anos anos no dia dez de Junho, lá aconteciam as grandes paradas e longos discursos enaltecendo o regime vigente na altura. 

A tristeza de ver Mães e Pais de luto vestidos, pois o seus queridos filhos tinham perdido a Vida naquela maldita guerra colonial, sustentada por um regime podre e caduco. 

Mas aconteceu Abril e tudo mudou e a alegria voltou.

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quinta-feira, 9 de maio de 2019

Cá vou andando..., por José Nobre



José Nobre 
2019/05/09

Cá Vou Andando.
A propósito de - Nunca Atirei Pedras Aos Cães.
A guerra do ultramar. 
A minha foi em Moçambique.



Nada sei, nada,ou quase nada, das outras guerras. 
O que escrevo aqui no FB, foi vivido por mim e mais cento e setenta gajos.
Tento falar de todos,com respeito e algum carinho.

Nas minhas vivências em África, não existem heróis, porque não os conheci, porque não os vi.
Convivi com gente, cujo único desejo era voltarem vivos e sem mazelas. 
Tentávamos todos salvar a pele, mesmo que para tal,fosse necessário matar.


Existem na Internet, dezenas e dezenas de blogues, que falam da guerra ultramarina.
Alguns com fotos e personagens que nada têm a ver com a guerra,a nossa guerra. 
Se conheci heróis, foram heróis improváveis, como por exemplo um enfermeiro que ajudou ao nascimento da várias crianças(negras),em vários sítios por onde passou.

A guerra só existiu, para todos aqueles que tinham uma graduação até capitão, os outros, todos os outros,não fizeram a guerra, viveram da guerra e do estatuto que a mesma proporcionava.
Vejo fotos de altas patentes,de Coronéis, de Tenentes Coronéis, fotos dos tais que nunca "fizeram o mato", com o peito cheio de medalhas, mas sem nunca terem provado o sabor de uma Ração de Combate,( no mato) sem nunca terem sentido o frio do medo, o silvar de uma bala, o rebentamento de uma mina. 
Esses,que aparecem sempre no dia do Combatente, para colocar mais uma coroa de flores, num qualquer monumento aos mortos do ultramar, numa qualquer localidade de Portugal.

" A guerra não foi só aquilo que escreves." 
Pois não, mas também foi.
É o que eu chamo de... o lado humano da guerra,como se fosse possível existir humanidade num conflito armado.

As armas que me foram entregues, não me transformaram em herói, nem a G3, nem as granadas, nem os carregadores cheios de balas, nem o camuflado.
Era unicamente um gajo que não queria "lerpar".
Consegui, apesar das emboscadas, apesar das minas, apesar das picadas para Mueda, para Muidumbe,para Nangade, para Cassacatiza. 
Outros, não sobreviveram. 
É para eles, para todos eles, que vou escrevendo as minhas "merdas."

A Pátria, deu-nos uma farda, uma arma, uma ideologia, uma história para salvar.......depois deixou-nos num caís qualquer de Lisboa, como mercadoria fora de prazo. 
A Pátria que nem os mortos sabe HONRAR...aqueles que já nada lhe pedem, mas que lhe entregaram a VIDA de ....MÃO BEIJADA...com o respeito que a CHAMADA ....PÁTRIA ....lhes merecia.

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