- «EU VI NA TVI, EU HOJE CUSPO FOGO»Todos nós vimos a triste realidade na TVI, o que nós não queríamos, pois dói muito.
Amigos irmãos camaradas COMBATENTES. Ainda... á muito coisa para mostrar e contar, muitas maldades e traições que a todo o momento nos fazem sofrer e corroer o nosso corpo e o nosso ser, a nós «COMBATENTES E NOSSOS FAMILIARES» vou contar um triste acontecimento que se passou comigo talvez á dez anos, para mim foi um crime, um ataque, um bombardeamento, talvez igual aos que sofremos na guerra do ultramar, este foi feito por alguém a quem eu apelido de «terrorista, porco, assassino».Eu fiz-me sócio da associação APOIAR Portuguesa dos Veteranos de Guerra em 2001, onde eu me sentia muito bem apoiado, quando eu precisava de qualquer informação telefonava, eram pessoas impecáveis, incansáveis, os nossos amigos da APOIAR quiseram saber tudo a respeito á minha saúde, como eu me sentia da parte sistema nervoso, como estava a ser medicado e se andava a ser vigiado, o que os informei, pediram-me cópias e dados a respeito a medicação, consultas e internamentos, de tudo, eu enviei tudo pelo correio e, telefonei no momento, os nossos amigos da APOIAR, ao receberem telefonaram-me com urgência, informando que iam enviar tudo de volta e, que já tinham entrado em contacto com uma unidade hospitalar na minha Cidade de Leiria, não vou mencionar o nome pois, as pessoas competentes não merecem ser enxovalhadas pela atitude do tal terrorista, onde eu ia ser consultado e passava a ser vigiado, para eu estar atento pois, ia receber uma carta com urgência a avisar-me para me apresentar.Passada uma semana recebi a carta com a data e a hora e local para me apresentar na consulta, para levar toda a documentação que tinha enviado e recebido da APOIAR.Na data certa apresentei-me, convencido que ia ser medicado com a medicação certa para resolver o meu problema que me atormentava o sistema nervoso, as noites sem dormir, os sonhos das matas dos DEMBOS, tudo isso.Foi chocante, doloroso, triste, revoltante, foi como se tivesse levado uma rajada no meu peito, ainda hoje «cuspo fogo», mas, foi verdade, fui atendido por um médico que tinha idade de ser meu filho, que, me pediu-me o envelope com toda a documentação, os tais que eu tinha enviado para a APOIAR e eles me tinham devolvido com folhas muito importantes assinadas por eles, o senhor que dizia ser médico, ao ler e ver que eu tinha andado na GUERRA do ULTRAMAR, agarrou na minha papelada, olhando para mim a sorrir, rasgou e colocou no cesto do lixo, eu, ao ver tudo aquilo perguntei o que estava a fazer, respondeu, «QUE EU FAZIA PARTE DOS TAIS QUE SE CONSIDERAVAM HERÓIS, QUE QUERÍAMOS VIVER SEM TRABALHAR, VIVER À CUSTA DELE E DE OUTROS QUE TRABALHAVAM DE NOITE E DE DIA, QUE O NOSSO PROBLEMA ERA FALTA DE NOS OBRIGAREM A TRABALHAR E, SERMOS CONTROLADOS A TOQUE DE CHICOTE», que ele, também tinha andado na guerra nas três províncias e, tinha que trabalhar, eu ao ver e ouvir tal crime, como uma mola, levantei-me da cadeira, caminhei para ele, fixei o meu olhar no dele, penso que os meus olhos deviam estar maiores que as lentes dos meus óculos e a quererem saltar, só exclamei que era injusto o que eu estava a ver e a ouvir, dei mais um passo em frente, o tal senhor médico, recuou, agarrou no cesto dos papeis, saio porta fora correndo pelo corredor fora olhando para trás, talvez com medo de acontecer o que ele merecia, nem os papeis rasgados me deixou, para eu poder ir á secretaria, ou falar com o diretor da unidade para contar o que se tinha passado, fiquei de pés e mãos atadas, fiquei muito nervoso, muito revoltado e desiludido, saí porta fora, não vi o tal senhor, nem valia a pena abrir a boca pois, não tinha dados para poder mostrar e justificar o que me tinha acontecido, só me restou voltar para casa com a triste história para contar, não comuniquei a APOIAR a quem peço imensa desculpa por ter deixado de ser sócio, pois, fiquei muito revoltado e desiludido com tal atitude desse tal «turra».«MANUEL KAMBUTA DOS DEMBOS»
Diversas Crónicas, Vivências, Fotos e outras Recordações traduzidas em texto, de autores diversos da sua passagem pela Guerra, nos territórios da Guiné-Bissau, Angola e Moçambique, nos anos idos de 1961 a 1975...
Mostrar mensagens com a etiqueta médico. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta médico. Mostrar todas as mensagens
quinta-feira, 1 de dezembro de 2016
EU VI NA TVI, EU HOJE CUSPO FOGO..., por Manuel Lopes
Etiquetas:
Angola,
APOIAR,
assassino,
ataque,
Combatentes,
Dembos,
fogo,
Guiné,
heróis,
Leiria,
médico,
Moçambique,
porco,
realidade,
triste,
Ultramar
Local:
Leiria, Portugal
domingo, 29 de maio de 2016
Xi patrão. ..não aguente mesmo!!!!!!!, por José G. D'Abranches Leitão
Chai - 1971
Alvorada!
O dia começa a "acordar"!!!
Os cheiros da noite....os ruídos. ... o cacimbo...as rotinas dentro do arame farpado!
Um cipaio aproxima-se da "porta d'armas"...e quer falar com o Alferes médico!
O sentinela. ...faz sinal a um companheiro que já ia de copo de cantil a fumegar...com o "café com leite "...
Vai dizer ao nosso Alferes médico que esta aqui o "Badalo " muito aflito....
- Senhor Médico. ...a minha mulher está a sangrar muito!!!
- O que é que lhe aconteceu?
Sangrar?
Caiu?
- Não Senhor Médico. ...a mulher deita sangue da..da...da....
- oh homem desembucha?
- mijar ...mijar senhor Médico! !!!
- Oh homem o que é que aconteceu?
- Mataco....toda a noite, senhor Médico!
Alvorada!
O dia começa a "acordar"!!!
Os cheiros da noite....os ruídos. ... o cacimbo...as rotinas dentro do arame farpado!
Um cipaio aproxima-se da "porta d'armas"...e quer falar com o Alferes médico!
O sentinela. ...faz sinal a um companheiro que já ia de copo de cantil a fumegar...com o "café com leite "...
Vai dizer ao nosso Alferes médico que esta aqui o "Badalo " muito aflito....
- Senhor Médico. ...a minha mulher está a sangrar muito!!!
- O que é que lhe aconteceu?
Sangrar?
Caiu?
- Não Senhor Médico. ...a mulher deita sangue da..da...da....
- oh homem desembucha?
- mijar ...mijar senhor Médico! !!!
- Oh homem o que é que aconteceu?
- Mataco....toda a noite, senhor Médico!
- Vai la buscar a tua mulher!
Corre, grita-lhe o Alferes médico.
Moral da história!
A infeliz....tinha a vagina rasgada! Levou 27 pontos!
O "Badalo" dava jus ao nome.
Receita para a mulher....ir à enfermaria todos os dias para tratamento médico.
Receita para o "Badalo":
Um médico inspirado....arranja as anilhas dos frascos de comprimidos LM. ....que tinham um diâmetro apropriado (cálculo feito com uma margem de mais 2 a 3 cm do normal) e explica ao cipaio que....quando voltar a fazer "máquina "....em de colocar anel no pénis e só introduz até ao limite da anilha!
Como o sigilo médico não imperava naquelas bandas.....durante o dia a conversa comum....foi a "historia da mulher do Badalo"!!!
- Xi patrão. ..não aguente mesmo!!!!!!!
Corre, grita-lhe o Alferes médico.
Moral da história!
A infeliz....tinha a vagina rasgada! Levou 27 pontos!
O "Badalo" dava jus ao nome.
Receita para a mulher....ir à enfermaria todos os dias para tratamento médico.
Receita para o "Badalo":
Um médico inspirado....arranja as anilhas dos frascos de comprimidos LM. ....que tinham um diâmetro apropriado (cálculo feito com uma margem de mais 2 a 3 cm do normal) e explica ao cipaio que....quando voltar a fazer "máquina "....em de colocar anel no pénis e só introduz até ao limite da anilha!
Como o sigilo médico não imperava naquelas bandas.....durante o dia a conversa comum....foi a "historia da mulher do Badalo"!!!
- Xi patrão. ..não aguente mesmo!!!!!!!
Etiquetas:
1972,
1974,
Badalo,
Cabo Delgado,
Chai,
José Leitão,
Macomia,
Mataca,
médico,
Messalo,
Monte dos Oliveiras,
mulher,
Pemba,
Serra Mapé,
tratamento,
Ultramar
Local:
Chai, Moçambique
sexta-feira, 19 de dezembro de 2014
NATAL É TEMPO DE FAMÍLIA, por Martina Lopes

E a família combatente não é excepção.
No tempo de serem filhos, milhares de jovens foram retirados dos seus lares e afastados da família que conheciam, para durante 33 meses prestarem serviço em defesa da Nação.
Na sua grande maioria eram provenientes de famílias humildes que lutavam diariamente para sobreviver e matar a fome aos numerosos filhos.
Muitos voltaram do Ultramar transformados, mutilados e doentes, não tendo conseguido adaptar-se, nem aos entes queridos, nem tão pouco à sociedade.
Outros, que partiram casados e já com filhos ou à espera do seu nascimento, tiveram sérias dificuldades em criar laços de afeto aquando do regresso.
Tinham passado anos, os filhos cresceram, os hábitos eram diferentes, a comida não tinha o mesmo sabor, os únicos estrondos eram de festa e não haviam inimigos.
Contudo não era fácil baixar a guarda, esquecer a linguagem de violência e reaprender a expressar os sentimentos.
Já nada era igual, sobretudo eles próprios.
Muitos houveram ainda, que não mais voltaram a sentir o calor de quem tanto lhes queria.
Durante a guerra, envoltos num espirito forte de entreajuda, colocados frequentemente em situações de vida ou morte, eram entre si os escudos uns dos outros e assim foram criando uma nova família: a dos camaradas.
Muitos houveram ainda, que não mais voltaram a sentir o calor de quem tanto lhes queria.
Durante a guerra, envoltos num espirito forte de entreajuda, colocados frequentemente em situações de vida ou morte, eram entre si os escudos uns dos outros e assim foram criando uma nova família: a dos camaradas.
É esta que muitos combatentes mantêm até hoje, em quem conseguem realmente confiar e cuja forte ligação pretendem manter para sempre.
Por fim, há ainda, nas situações em que conseguiram resistir, a família nuclear. Aquela família que todos os dias está ao lado do combatente.
Por fim, há ainda, nas situações em que conseguiram resistir, a família nuclear. Aquela família que todos os dias está ao lado do combatente.
São as mulheres, os filhos e os netos que muitas vezes não entendem o seu comportamento e atitudes.
Que tentam descortinar os silêncios prolongados nos cantos dos sofás, a falta de vontade, a passividade dos dias, as respostas impulsivas e sem razão aparente.
O Olhar vago e distante.
É esta família que na consoada vai estar sentada à mesa, juntamente com a lembrança de todas as outras famílias aqui relatadas.
O meu voto muito sincero, tal como de toda a equipa do Centro de Apoio Médico, Psicológico e Social da Beira Interior, é de que a noite de Natal que se aproxima seja uma noite de "cessar-fogo", em que todos os combatentes e suas famílias possam encontrar um verdadeiro e merecido momento de paz.
Martina Lopes
Psicóloga Clínica e da Saúde
Coordenadora do Centro de Apoio Médico, Psicológico e Social da Beira Interior
campsbeirainterior@gmail.com
Etiquetas:
apoio,
Combatentes,
doentes,
entreajuda,
família,
guerra,
inimigos,
jovens,
Martina Lopes,
médico,
Moçambique,
mutilados,
Natal,
pós-traumático,
psicológico,
stress,
violência
Local:
Moçambique
Subscrever:
Mensagens (Atom)


