Mostrar mensagens com a etiqueta Messalo. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Messalo. Mostrar todas as mensagens

sábado, 1 de abril de 2017

A Pistola 9 mm Walther m/961, por Duílio Caleça


Tempo em serviço 1939 - act.
Calibre 9 x 19 mm Parabelum
Operação recuo curto com culatra fechada
Velocidade de saída do projéctil 365 m/s
Alcance eficaz 50 m
Peso 884 g (carregada)
Comprimento total 216 mm
Alimentação carregador
Miras alça e ponto de mira
Variantes P1, P38K, P38SD e P4

A Walther P38 é uma pistola de 9 mm desenvolvida pela empresa alemã Walther para serviço na Wehrmacht. 
O objectivo era a substituição da pistola Luger P08, cuja produção estava prevista para terminar em 1942.
O conceito da P38 foi aceite pelos militares em 1938, mas a sua produção para testes só foi iniciada em 1939. 
A Walther começou a sua fabricação na fábrica de Zella-Mehlis, produzindo três séries de pistolas de teste. 
A terceira série foi considerada em condições e produção normal da arma foi iniciada em 1940.
A produção manteve-se até depois do final da Segunda Guerra Mundial.

Uso em Portugal
A P38 foi adaptada pelas Forças Armadas Portuguesas em 1961 como Pistola 9 mm Walther m/961, substituindo a Parabellum então em serviço. 
Equipou desde logo as tropas em combate na Guerra do Ultramar. 
Desde essa altura até à actualidade mantém-se como a pistola padrão do Exército Português

quinta-feira, 8 de setembro de 2016

A Morte Continua Adiada..., por José Leitão



 
Mais uma....
(...)
Anoitece...
...
Procuramos um local seguro para pernoitar...
A humidade é tanta que custa a respirar
O 4° grupo de combate....organiza-se por secções....e são colocados sentinelas .... no morro...com vista para a picada.... O silêncio é a "palavra de ordem"....não se ouve nem um sussurro, apenas o ruído da selva...o cheiro acre, inconfundível da terra húmida de África.... e o hálito característico da floresta....
 
Estes ruídos assustam! diz- me o Vidinha, soldado que é a "minha sombra", para todo o lado!
 
De repente os corpos agitam-se....começamos a ser atacados por formigas "gigantes" que nos sobem pelas pernas...e ferram as partes baixas....
(Não foi bem o que escrevi na altura!?)
 
A disciplina imposta, para que as latas da ração de combate, depois de abertas, sejam enterradas, não é cumprida e as formigas aparecem para jantar.
 
Tento acalmar os soldados....pedindo silencio.
Missão impossível....as ferroadas são dolorosas.
 
O cabo enfermeiro Alves....esgota o álcool...
 
De repente o rádio telegrafista C. Mendes....rasteja até se colocar a meu lado e sussurra-me que está a ver uns vultos...um, dois, três.....quatro.....que distam uns dos outros em intervalos de 10 metros.

São contados 8 guerrilheiros....bem armados....vislumbramos as famigeradas Kalash...e transportam à cabeça uns volumes que nos parecem minas anti-carro, ou talvez mantimentos.

Mas vêm em silencio e vozes, não se ouve nem um sussurro, apenas os passos dos guerrilheiros.
A noite está escura com breu....com um luar envergonhado que tenta romper o cacimbo.
A distancia é considerável....e poderão vir mais atrás outros guerrilheiros.

Reunimos, os Furriéis do meu Grupo e decidimos que ninguém se deve mover...pois tentar apanha-los à mão...seria um suicídio....pois não conhecemos o terreno...
 
Via rádio....já com nenhum à vista, informamos Macomia....do sucedido.
Aguardamos instruções que tardam pois o rádio deu o "berro" ou fica sem sinal....
Estamos muito perto da Ponte do Rio Messalo.
 
Ninguém consegue dormir....amanhece....de repente....vem um pelotão ao nosso encontro...a picada já está vistoriada...sentimos algum alívio....e finalmente o Chai à vista.

O Carias olha para mim sorridente...e com o polegar direito....em sinal de OK...exclama:
- Desta já nos safámos, meu Furriel.
A morte continua a ser adiada!!!

Somos recebidos. ...com sorrisos largos e uns abraços.
Festejamos com umas Laurentinas bem fresquinhas....
 
Escrito num aerograma que servia de post-it....e servia de "diário"
José Leitão
CCAVª 2752
1971
 

domingo, 29 de maio de 2016

Xi patrão. ..não aguente mesmo!!!!!!!, por José G. D'Abranches Leitão



Chai - 1971



Alvorada!
O dia começa a "acordar"!!!
Os cheiros da noite....os ruídos. ... o cacimbo...as rotinas dentro do arame farpado!

Um cipaio aproxima-se da "porta d'armas"...e quer falar com o Alferes médico!
O sentinela. ...faz sinal a um companheiro que já ia de copo de cantil a fumegar...com o "café com leite "...
Vai dizer ao nosso Alferes médico que esta aqui o "Badalo " muito aflito....

- Senhor Médico. ...a minha mulher está a sangrar muito!!!
- O que é que lhe aconteceu?

Sangrar?
Caiu?
- Não Senhor Médico. ...a mulher deita sangue da..da...da....
- oh homem desembucha?
- mijar ...mijar senhor Médico! !!!
- Oh homem o que é que aconteceu?
- Mataco....toda a noite, senhor Médico!


- Vai la buscar a tua mulher!
Corre, grita-lhe o Alferes médico.
Moral da história!
A infeliz....tinha a vagina rasgada! Levou 27 pontos!

O "Badalo" dava jus ao nome.

Receita para a mulher....ir à enfermaria todos os dias para tratamento médico.

Receita para o "Badalo":
Um médico inspirado....arranja as anilhas dos frascos de comprimidos LM. ....que tinham um diâmetro apropriado (cálculo feito com uma margem de mais 2 a 3 cm do normal) e explica ao cipaio que....quando voltar a fazer "máquina "....em de colocar anel no pénis e só introduz até ao limite da anilha!
Como o  sigilo médico não imperava naquelas bandas.....durante o dia a conversa comum....foi a "historia da mulher do Badalo"!!!



- Xi patrão. ..não aguente mesmo!!!!!!!

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2016

Estamos Perdidos, por José Monteiro

Mais uma pequena história vivida em Cabo Delgado.
Estamos Perdidos
Numa das inúmeras patrulhas que realizámos em Mueda, fui com o meu grupo de combate pela picada para Miteda/ Nangololo, que ficava por trás da base aérea.
 
Como já estava previamente estabelecido, perto dos postos de abastecimento de água o grupo foi dividido.
Uma secção para o lado direito, em direção á mata, outra ficou na picada e a terceira, a minha, foi pelo lado esquerdo.
Tínhamos por missão não percorrer mais que 1 quilómetro, perpendicular á picada.

O capim era bastante alto e ainda não tinha começado a época das queimadas, referências de árvores não havia, pois a mata começava bastante longe.
Lá fomos, em bicha de pirilau, sempre perpendicular á picada.
Como o capim ainda não estava seco, não deixava marca á passagem da nossa tropa, portanto menos uma referencia.
Quando decidi regressar, pois tinha a certeza que a distância estava percorrida, comecei a aperceber-me que não tinha referências para chegar à picada.
 
Não parei e continuei sempre na pressuposta direção da picada.
Sol, também não havia e os rádios intersecções não funcionaram.
 
Comecei a pensar, só para mim, que provavelmente nos tínhamos afastado muito na direção errada, quando atrás de mim alguém grita "ESTAMOS PERDIDOS", virei-me imediatamente na direção do som e disse-lhe para ir para a frente da coluna e caminhar que a picada estava perto.
A situação acalmou, passado pouco tempo apareceu um trilho e então aí passei a ter 50 por cento de hipóteses.
Dei a ordem "virar à esquerda" e finalmente pouco tempo depois aí estava a desejada picada com os postos de água todos esburacados.
 
Estaria perdido???
Momentaneamente sim, só que não podia dar a entender isso no seio do grupo.
Tudo acalmou, tudo passou com o regresso, de novo, ao quartel.
 
Linda-a-Velha, Agosto de 2011
 
 

terça-feira, 29 de dezembro de 2015

EM MEMÓRIA DE UNS MEUS CAMARADAS DE ARMAS QUE MORRERAM EM COMBATE!, por António Feijó


 
Enviado pelo nosso camarada António Feijó.
 
Obrigado pela partilha!
 
« EM MEMÓRIA DE UNS MEUS CAMARADAS DE ARMAS QUE MORRERAM EM COMBATE!
 
CHAI, Cabo Delgado, Moçambique.
(Sector B da Zona de Intervenção Norte da Região Militar de Moçambique).

Esta fotografia foi tirada em 24 de Dezembro de 1967, por volta das 10h00.
Era a formatura da Companhia de Cavalaria n.º 1602, aquando da visita do General Augusto dos Santos, Comandante-Chefe das Forças Armadas em Moçambique e do Brigadeiro Costa Gomes.

Na frente deste Pelotão está o Alferes Bourbon que era o seu comandante.
O outro alferes sou eu, adjunto do Comandante de Companhia (até há alguns dias antes desta data, era o comandante interino na ausência do capitão que tinha sido evacuado por ter sofrido um grave acidente).

Na noite desse dia fizemos a nossa consoada.
Era a última que se passava na guerra.
A comissão estava a terminar e todos pensávamos regressar ao seio das nossas famílias, para as nossas terras.

No dia 25 preparamo-nos para ir render o posto avançado n.º 11 (Nantomba), que tínhamos junto ao rio M'salo, muito perto do esporão da Serra Mapé.
Não me recordo a distância certa a que estava: rondava os 20 km, creio.
Às cinco da manhã do dia 26, falei com o Alferes Bourbon antes da sua partida.
Uma coluna-auto ia transportar o seu grupo de combate, mais a secção que ia render aquela que se encontrava no posto há 20 dias, mais cinco dias dos quinze dias que lhe competia.
 
A irregularidade nos prazos de rendição tinha por objetivo evitar a rotina de horários que era propiciadora a emboscadas montadas contra nós.
 
Foi a última vez que falei com ele, como foi, também, a última que saudei alguns dos militares que já se encontravam nas viaturas com as armas na mão.
 
Não tinham chegado as sete horas quando ouvimos longínquas explosões e tiros e, logo de seguida a comunicação rádio a dar conta que a coluna havia caído numa emboscada, havendo mortos e feridos.
 
De imediato seguiu uma coluna de socorro onde fui.
Pouco depois os Alouette III estavam na sede da companhia para evacuar os militares que entretanto tínhamos trazido para ali.
 
É impossível descrever os cenários no local e depois na companhia e, se pudesse, não o faria com certeza.
Tenho as imagens fortemente marcadas na minha memória, já lá vão quase 50 anos.
 
Na fotografia estão assinalados os onze que caíram em combate e os que ficaram gravemente feridos. Não indico os seus nomes.
Tenho-os firmemente gravados no meu coração.
Tinha eu 23 anos.
Era a idade aproximada de todos os militares deste grupo de combate e da maioria daqueles que pegaram em armas para defender o que nos disseram ser parte de Portugal e disso estávamos convencidos.
Os "turras", segundo soubemos mais tarde, estavam à nossa espera há bastantes dias.
 
Eis o testemunho resumido de três dias da minha vida na primeira comissão em África.
Como eu, muitos outros e ás vezes em piores circunstância, viverem em horas, anos das suas vidas, e trouxeram consigo as dores de alma, para as quais não há hospitais e medicamentos que as curem.
 
Lembro-me muitas vezes destes meus infortunados Camaradas de Armas e muito especialmente o faço neste período, no seu aniversário que ocorre neste dia.
Rogo a Deus que os tenha na paz dos justos.
 
A vida de um combatente, daqueles que carregavam a G-3 e todo o seu equipamento às costas e andavam pelo mato ou pelas picadas, distâncias sem fim, sujeitos aos tiros e minas e também às doenças, à fome, à sede e ao cansaço, foi uma epopeia gigantesca que merece o respeito e a gratidão de todos os Portuguesas, seja qual for o quadrante político em que se encontrem.
 
Infelizmente, parece não acontecer algumas vezes, o que sinceramente muito lamento e me contrista.
 
Há dias soube que numa assembleia municipal, um deputado que foi um militar da Força Aérea, ao que parece dos serviços administrativos ou de guarnição, num arrazoado mal construído, falou como combatente para justificar uma lamentável atitude política que repudiava a consagração de um dia na vida da comunidade (que julga representar) para homenagear os Filhos da Terra que caíram em combate, ou em razão dele, ao serviço de Portugal.
Este senhor deputado pode ter as posições que quiser, mas nunca deve invocar que está a fazê-lo em nome dos combatentes, porque não o foi.
É que, nesse tempo, os militares da FA que combatiam e bem, eram os Paraquedistas. os Pilotos e as guarnições dos helicópteros, dos T-6, dos Do-27 e dos Fiats (GU-91) que apoiavam as forças terrestres nas missões de apoio de combate, nos assaltos helitransportados, nas evacuações de feridos, no apoio de fogo às operações que se desenrolavam. (Na Marinha, envolvidos em combate, eram os Destacamentos de Fuzileiros Especiais e as guarnições das lanchas de desembarque).
O serviço dos outros militares da FA, do Exército ou da Marinha era importante ou mesmo muitíssimo importante, mas, por mais complexo que ele fosse, estava a "anos-luz" das dificuldades e perigos vividos pelos combatentes que de facto o eram.
 
A proposta que foi apresentada, teve como base um largo consenso da sociedade civil, por intermédio das suas instituições mais representativas.
Infelizmente não passou na dita assembleia por ter sido rejeitada pelos deputados eleitos por um partido que tinha a obrigação moral de a acolher com agrado e apoiá-la com veemência.
 
Como disse um político português que os mortos só se choram, quando os vivos não os merecerem, teremos de lamentar profundamente o acontecido numa Terra que tanto prezo, e afirmar como tristes são os sinais destes tempos. »
___________________________________
https://www.facebook.com/homenagemaosmilitaresportugueses

segunda-feira, 30 de novembro de 2015

Episódios Nangololo 1970, por João Maria Ribeiro Silva

 
 
Resumo da Pag. 300 - 306 .... sobre a história deste avião que ficou na pista de Nangololo com o trem de aterragem partido .... e que durante uns dias tinhamos... de sair do arame farpado para o guardar de noite ....

Pag.300 -

A GUERRA NA PICADA Deitado sobre uma maca de lona colocada em chão frio e húmido, aquele companheiro era a imagem real do pesadelo que me atormentava.
Via-o sofrido , angustiado com lágrimas de uma amargura infinita.
Sofria na carne e no intimo os horrores de uma guerra que tudo lhe desfez ........

A Força Aérea não voava de noite......
Quando conhecemos a decisão de evacuar os feridos de táxi aéreo vindo de Nampula, mais confuso fiquei.
Mueda ficava ali ao lado ...

O facto de o aquartelamento se encontrar completamente ás escuras, não podia facilitar a sua localização.
Alguém se lembrou com o recurso a tochas feitas com latas de cerveja vazias .... que estavam no lixo.
Colocamos gasóleo com óleo queimado e com a ajuda dos farois de uma viatura, iluminámos as bermas da pista para a balizar.

Uma horas mais tarde com o negrume da noite à distância de uma mão por cima das nossas cabeças, quando o ruido se ouviu sobre nós, como que ligadas em cadeia as tochas se iluminaram.
O piloto não conseguiu localizar-nos devido à densa neblina, alvitravam uns......
Será que regressou a Nampula?, inquiriam outros.

Uma hora mais tarde, com muitos de nós já descrentes chega-nos um temido zumbido.
De novo corremos para a pista e ela se iluminou.
Inesperadamente ouço um ruído abafado e constato que a aeronave guinou com a asa esquerda a roçar pelo chão até parar no arame farpado.

Quando vi um corpo meio desnudado com uma perna decepada, senti-me desorientado.
Por fim perguntei ao piloto: de onde vem ele?
De Muidumbe.
Ficámos então a saber que já vinha a caminho de Nangololo quando lhe transmitiram o pedido de Muidumbe para evacuar um ferido grave ......

A FORÇA AÉREA NÃO VOAVA DE NOITE MAS OS PILOTOS CIVIS SIM ...
ARRISCAVAM A VIDA.
Pensamento meu ......

  • Antonio Sa em que ano foi isto? este avião ficou lá para sempre? não é deste que o nosso alferes tirou o banco para descançar das caminhadas e a c.cav. 3561 tirou os rádios?
  • Duilio Caleca Será ???? Nangololo ????
  • Antonio Sa ? ao fundo não é a caserna do pessoal das "daimleres"?
     
  • Duilio Caleca Aguardemos para esclarecer.
  • Mas que os bancos fizeram muito jeito, lá isso fizeram.
     
  • Antonio Sa é fácil tenho fotos eu deitado em cima da asa que mandei para a família a dizer que estava a voar nas nuvens e vejo a matricula da aeronave.
     
  • João Maria Ribeiro Silva CAROS AMIGOS LEIAM O RESUMO DA HISTÓRIA DESTE AVIÃO EM NANGOLOLO -1970 - QUE DESCREVO POR BAIXO DO AVIÃO ....
     
  • Antonio Sa amigo João Maria por baixo não tem mais nada.
     
  • Duilio Caleca Eu passei alguns meses a iluminar a pista com latas de cerveja com gasóleo e um pavio acesso e só vi aviões civis, pela calada noite sem iluminação alguma, não fosse os mísseis fazer das suas.
  • Depois deu-se o 25.
  • Coincidências.
     
  • Armando Guterres Na Mataca também ficou uma noite, aterrou apesar de estar avisado que a pista estava encharcada.
  • No dia seguinte com a pista seca lá seguiu à sua vida.
  • Outra vez, com a informação dada no Chai de pista operacional na Mataca, ao sobrevoar a Mataca com um lindo sol e sem nuvens "uma maravilha" seguimos para Macomia porque as valas do aquartelamento estavam cheias da água da chuva...
     
  • Antonio Sa creio que não é o mesmo avião, numa foto que encontrei as janelas não são redondas. mas amanhã tiro duvidas com outras fotos.
     
  • Antonio Sa ó Duilio o padre fazia procissão na pista?
     
  • Antonio Sa Segundo contaram o piloto esteve lá e tomou umas cervejolas.
  • Quando levantou pensou que já ia no ar virou e deu com a asa na pista e lá ficou.
     
  • João Maria Ribeiro Silva Antonio Sa, o avião ao aterrar partiu o trem de aterragem, de noite, como relata o resumo que escrevi, tirado do livro a Guerra na Picada do meu camarada António Soares, em Nangololo no ano de 1970.
  • Vindo de Muidumbe com um ferido grave, para levar outro de Nangololo também com um ferido grave.
  • Conclusão tiveram de ficar a noite toda no acampamento, gemendo com dores (sem um perna cada um) à espera do Heli para os levar para Mueda ... misérias da guerra ...........

  • Antonio Sa João Maria, ok não existe ligação nenhuma são dois casos diferentes entre estes dois aviões.
  • Santos Silva Teve um furo ou kkkkk!!!
     
  • António Soares A diferença entre os dois aviões também é temporal: um acidente aconteceu em 1970 e o outro em 1972.
     
  • João Maria Ribeiro Silva e já agora Santos Silva se ler o resumo que escrevi sobre o acidente , perceberá o que aconteceu ... na pista encontravam-se pequenos montes de terra, para tapar os buracos, que iam aparecendo ..... por azar tivemos uma evacuação nesse dia de um ferido grave e aconteceu o desastre, por ser de noite cerrada ..... AZAR ....
     
  • Abel Lima Sobre o livro " A Guerra da Picada".

  • Finalmente ...
    Um livro que descreve com realismo, não só o dia a dia em Nangololo, mas também o estado de espírito dos militares que lá permaneciam meses a fio;

  • Um livro que relata episódios de guerra e que, em minha opinião, será muito bem compreendido e melhor apreciado por todos aqueles que por lá passaram durante e depois dos acontecimentos e fará refletir muitos outros, especialmente aqueles que, ainda hoje, afirmam que a guerra ou melhor a guerrilha estava ganha ou então que ela nunca existiu ou ainda que podíamos e devíamos dar continuidade àquele estado de coisas.
  •  
  • Arrisco-me mesmo a afirmar que até aqueles que estiveram em Nangololo, no início do conflito, também ficarão surpreendidos se lerem o livro.
  • Pena esta edição não ser documentada com as muitas fotos que o autor possui e já divulgou no Facebook.
  • Sairia muito valorizado;
    Um livro que traduz a triste realidade que se vivia por aquelas paragens.
  •  
  • Estes dramas agora contados passavam, na altura, de boca em boca e iam chegando ao conhecimento dos "checas".
  •  
  • Recordo que, dois anos depois, o episódio da água servia ainda de exemplo e era lembrado sempre que era necessário lá descer;
  • Um livro que vem esclarecer algumas dúvidas que me acompanhavam há longos anos relativamente às Companhias que nos antecederam em Nangololo e confirmar aquilo que eu sempre pensei e defendi sobre os motivos que determinaram o abandono dos chamados destacamentos de Miteda e de Muidumbe deixando apenas Nangololo, sob o comando de um capitão.
  •  
  • Tal aconteceu porque a situação se agravava de dia para dia e a partir de determinada altura tornou-se quase impossível continuar a fazer a chamada "guerra na picada".
  • As perdas humanas e de material ultrapassavam tudo aquilo que, mesmo para os "donos da guerra", sempre bem mais preocupados com o material, seria razoável e tolerável.
  • Em tempos eu escrevi algures que os militares continuaram em Nangololo apenas para "marcar presença" na zona, já que estrategicamente o local não teria grande interesse militar, mas o autor é mais exato e concordo com ele quando afirma, não recordo bem se com estas palavras, que a presença de militares naqueles locais servia para "entreter e manter ocupada a guerrilha" evitando que ela se estendesse para sul. Por outras palavras "carne para canhão".

  • Estive no local dois anos depois do autor do livro e durante 20 meses (julho 72/fevereiro 74).
  • O que mudou:
    Os reabastecimentos, enquanto foi possível, passaram a fazer-se por via aérea, abandonando-se as perigosas colunas (durante a nossa permanência apenas foram efetuadas duas entre Mueda e Nangololo, com os resultados que são conhecidos e não vou repetir aqui);
  • Por este motivo os bens alimentares eram escassos e por vezes faltavam.
  • Tempos houve em que chegou mesmo a esgotar a cerveja e outros em que esta teve de ser racionada;
    As picadas da zona, sem uso, foram absorvidas pela vegetação e praticamente desapareceram;
    A engenharia dotou o destacamento de um furo (90 m de profundidade, segundo constava) com bomba para retirar a água, deixando de ser necessário o abastecimento periódico na perigosa nascente, recorrendo-se a esta apenas nos casos de avaria, o que aconteceu por diversas vezes;
    Desapareceram do local as patentes superiores a capitão;
    Também nunca lá vi um médico e o padre capelão apareceu duas ou três vezes;
    O isolamento era total e sem Miteda e Muidumbe, passou a ser Mueda o destacamento mais próximo.
  • Mas a grande maioria do pessoal, presente em Nangololo, nunca lá foi;
  • As cercas de arame farpado que delimitavam o perímetro do destacamento deixaram de estar armadilhadas;
    Passaram a existir 2 geradores elétricos, funcionando um como reserva para os casos de avaria;
    Alguns pelotões construíram, de forma muito artesanal, as suas próprias casernas abrigo subterrâneas, recorrendo a grandes troncos de árvores e bidões de combustível;
  • Repetiu-se em 1973 o episódio da evacuação noturna, feita por um avião civil, nos mesmos moldes (desta vez sem o acidente do avião) e pelos mesmos motivos;
  • Passaram a fazer-se operações de vários dias a corta-mato na densa mata, algumas delas com os militares a serem largados no objetivo (ou perto dele) por helicópteros, sendo o regresso a Nangololo feito a pé.
  • Os reabastecimentos no mato, em regra, eram a cada 3 dias;
  • Mas a "guerrilha" depressa se adaptou às novas realidades e a partir de determinada altura também os meios aéreos começaram a sentir-se fortemente ameaçados e, consequentemente, o contacto com o exterior tornou-se ainda mais difícil;
  • Passaram a aparecer mais trilhos armadilhados;
  • A pista, na altura com cerca de 2,5 km, era picada (varrida) diariamente, por um pelotão, e mesmo assim foram lá detetadas, num só dia, pela minha Companhia (CCAV3561) e levantadas, sem consequências, mais de 30 minas, algumas delas anticarro (foi quase obrigatória a opção pelo levantamento para evitar a destruição da pista, dado que, ao tempo, ela constituía quase a única garantia de ligação com o exterior);
  • As flagelações com morteiros e canhões eram frequentes e no dia 4 de fevereiro de 1974, durante um ataque que se prolongou durante quase todo o dia, foi mesmo efetuado um disparo de 122;
  • Por essa altura surgiram mensagens relâmpago, provindas dos "altos comandos", informando que estaria a ser planeada e preparada por parte do IN uma tentativa de golpe de mão, envolvendo um elevado número de efetivos da guerrilha, o que obrigou a medidas excecionais de segurança.
  • Talvez devido ao facto do pessoal ter sido prevenido, gorando-se desta forma o efeito surpresa, tal não veio a concretizar-se.

    Voltando ao livro
    Li, gostei e aconselho a sua leitura.
    Parabéns e muito obrigado António Soares
     
  • Duilio Caleca Obrigado Abel Lima por transcreveres a verdade do que efetivamente se passou onde nós amargámos uma parte da nossa juventude.
    Só mesmo quem passou por elas.
     
  • Abel Lima Duilio Caleca - Bem reaparecido após as merecidas férias. Apenas comentei um livro, que considero excelente, cujo autor é um ex-camarada António Soares, membro do picadas, que não conheço pessoalmente e que esteve em Nangololo antes de nós. Vale a pena a sua leitura. Abraço.