quarta-feira, 12 de outubro de 2016

A FILHA DO CORONEL, por António Rosa

Antonio Rosa
 
Bom dia a todos
Nos nossos tempos de guerra, aconteceram também momentos e situaçôes divertidos e felizes.
Este poema que vou partilhar retrata momentos que eu recordo com saudade.

A FILHA DO CORONEL
...
Nesse tempo, era a paixão,
Difícil de consumar;
As donzelas eram castas,
Ingénuas e virtuosas,
Algumas até pensavam,
Que um simples beijo na boca,
Poderia engravidar
Quando eu era militar,
Fui apanhado de amores,
Pela filha de um Coronel;
Ela linda, glamorosa,
Muito à frente do seu tempo,
Nem tinha por convicção,
Amar, rimar com casar.
Uma tarde na esplanada,
Levados pela emoção,
Trocámos um longo beijo,
Suscitando às "generalas",
Um olhar reprovador,
E um clamôr de indignação.
O coronel confrontou-me,
Assumindo tal frieza,
Que o meu sangue fez gelar:
"Alferes, tu vai com calma,
Não voltes a abusar,
A menos que eu autorize,
E tu tenciones casar,
Nunca mais beijes na boca,
A filha de um militar.

Nota explicativa:
"generalas" era o nome que nós dávamos às mulheres dos oficiais superiores.

António Rosa.