sexta-feira, 11 de novembro de 2016

Circuncisão, por José Carlos Galo

CIRCUNCISÃO

C.Cav. 2376 - Nangade 1968/69

A Circuncisão aos rapazes era feita anualmente por um "Especialista" que se deslocava de aldeia em aldeia em certas zonas do Cabo Delgado.



Por motivos da guerra este especialista já não vinha a Nangade há quatro anos.
Deste facto resultou que, no ano de 1968, foram circuncisados miúdos entre 4/5 anos e 14/15 anos.

Esta "cirurgia" era efetuada sem qualquer higiene.
Puxavam a pele do aparelho urinário, dos rapazes, para a frente e cor...tavam-na em cima de uma tábua, com uma faca.

Posteriormente os miúdos foram levados para fora da aldeia, onde tinham construído uma palhota junto ao arame farpado e eram guardados por milícias.

Passados uns dias fui chamado para analisar o estado em que os miúdos se encontravam.
Estes estavam vestidos com uma espécie de "capulana" branca, tinham um fio á volta da cintura que agarrava, na frente uma espécie de fisga onde ficava entalado o seu aparelho reprodutivo.
Segundo diziam era para não tocar nas pernas ???.
Tinham também, na mão, um enxota moscas.

O estado de saúde dos rapazes era péssimo.
O seu "aparelho" estava muito inchado e vermelho (em relação ao tamanho era o equivalente a uma mão fechada).

Devido á infeção, tinham febre bastante alta, com ínguas nas virilhas e dificuldade em urinar.

Com o tratamento local (água oxigenada e mercúrio cromo) e injeções de penicilina passados uns dias a rapaziada já estava em forma.

A circuncisão era "Tabu", principalmente entre as mulheres.

Batucadas e churrascadas e estava passada a época da circuncisão e os miúdos preparados para a reprodução. 




Quero acrescentar que quando estive no Hospital em Nampula, Nov./69 estava lá um F. Mil. que tinha feito a circuncisão neste hospital.

O pior era durante a noite, certamente por motivos óbvios, o material inchava e ele tinha de ir para o duche frio para acalmar..