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quinta-feira, 4 de junho de 2020

17 de JULHO de 1970 – Morte e lágrimas no Planalto dos Macondes..., por Manuel Sousa

Manuel Sousa

17 de JULHO de 1970 – Morte e lágrimas no Planalto dos Macondes

I -O Planalto em 1970

A Operação Nó Górdeo não estava a correr conforme os altos comandos tinham previsto.

Aquela que foi considerada a maior operação militar levada a cabo durante a guerra do ultramar, fez confluir para o Planalto dos Macondes (também conhecido como Planalto de Mueda), uma quantidade enorme de meios humanos e materiais, nunca antes vistos, com o objectivo de dar um golpe de misericórdia à Frelimo e assim pôr fim à guerra em Moçambique.


Foi tudo planeado e os militares corresponderam àquilo que lhes era exigido de forma abnegada e corajosa. 

Mas, houve um pequeno grande lapso dos nossos estrategas: avisar o inimigo que íamos atacar em força.

Um avião Dakota com um potente altifalante, sobrevoava toda a região e na língua nativa, pediam às populações para se entregarem nas povoações sob controle militar e abandonarem o mato e deixarem de apoiar os “terroristas” pois a tropa portuguesa ia ocupar as aldeias.

Obviamente que demos tempo suficiente para que os guerrilheiros da Frelimo se retirassem para locais mais seguros, levando consigo parte das populações que lhes serviam de apoio, deixando para trás os velhos que já não os podiam acompanhar nas marchas intermináveis pelo mato. 

Deu-se assim início a operações de guerrilha em locais até aí mais ou menos calmos. 

Como alguém já disse, foi como dar um murro num vespeiro.

Na retirada, a Frelimo deixou para trás as minas que enterraram nas picadas, onde sabiam que mais tarde as nossas tropas haveriam de passar.

A nós militares, o alto comando mandou-nos construir palhotas e providenciou-se para que houvesse alimentos para os milhares de guerrilheiros e populações que previam se iam entregar ás nossas forças armadas, com medo de serem mortos ou capturados de forma a que fossem recebidos com a hospitalidade possível.


Em Muidumbe, onde estavam sediados dois pelotões do Esquadrão de Cavalaria 1, o Pelotão nº1 e o nº2, ao qual eu pertencia, estava previsto que se entregassem mil e tal elementos. 

Havia palhotas construídas para os abrigar.

Ninguém se entregou.

E o “BOCAS”, um velho Dakota da Força aérea, continuava com um potente altifalante a sobrevoar o mato e a pedir aos guerrilheiros e civis que se entregassem às nossas F.A. 

Lançava panfletos divulgando as vantagens que havia se se pusessem do lado das Forças Portuguesas.

Mas os Macondes são um povo especial. 

Sabem o que querem e, por bem, são leais até à morte. 

Por mal, no seu território, são invencíveis.

E esse mal, já algumas das nossas autoridades administrativas civis, o tinham feito. 

Mas isso é outra história.


O planalto é arborizado por uma vegetação rasteira, composta de densas lianas resistentíssimas, impenetráveis e que raramente atinge dois metros de altura, que envolvem as árvores que delas não se conseguem libertar. 

Por baixo deste céu verde, não se vê o sol e são poucos os locais onde a claridade penetra. 

Vista do ar, parece um mar verde-escuro, com umas raríssimas pequenas clareiras.

Nesse tufo para nós impenetrável, existem túneis cavados na vegetação por onde os Macondes se deslocam a pé, abaixados, protegidos do sol e da vista de intrusos, deixando para trás, em locais que só eles sabem as suas explosivas armadilhas que tantos mortos e estropiados nos causaram.


Claro que as nossas tropas, à custa de muito sangue derramado, lá foram aprendendo a deslocarem-se por esses túneis cavados na vegetação, improvisando duma forma extremamente simples os seus detectores de armadilhas. 

Só mesmo o engenho desses soldados, inventaria um detector constituído por uma cana e um cordel.

Mas, como os guerrilheiros e populações não se entregavam e as principais Bases inimigas foram encontradas pelas tropas especiais Portuguesas abandonadas, era necessário incendiar a vegetação para lhes podermos “pôr a vista em cima”.

Mais uma vez a genialidade dos comandos manda largar pela Força Aérea bombas incendiárias “Napalm”, para incendiar esta vegetação que servia de abrigo aos nossos inimigos. 

Mas as lianas nem sequer ardiam.

O tipo que inventou a Napalm nunca esteve no Planalto de Mueda e esqueceu-se de pôr no Manual de Instruções que esta bomba não servia para fazer arder aqueles arbustos Macondes. 

Esqueceu-se também de avisar que por qualquer razão, ali, muitas delas não explodiam. 

Ou por serem mal largadas ou porque a vegetação amortecia o embate no solo.

Da mesma forma que nós capturávamos o material que os guerrilheiros abandonavam em fuga, eles aproveitavam e guardavam o que podiam do nosso. 

Entre ele, bombas da aviação que não explodiam.



II – Nangololo – entregaram-se dois guerrilheiros.

Enquanto a Engenharia Militar tentava aumentar e alargar a pista de aviação, com os enormes Caterpillars D -12 abrindo mato nas lianas Macondes, com as lagartas a derrapar, os homens do Esquadrão e não só, faziam a protecção aos operadores das máquinas. 

E, quando o Caterpillar já não tinha força para arrancar e partir as lianas, as motos serras ajudavam na tarefa.

Era muita gente na pista uns meio fardados meio desfardados, negros, brancos, asfaltadores da engenharia, militares emboscados nos limites da pista, Panhards para cima e para baixo, homens a pé ou de Unimog, pista acima e pista abaixo.

O quartel do Batalhão de Nangololo era um luxo. 

Estava num dos extremos da pista. 

Tinha uma Igreja que servia de camarata para aquele pessoal todo e uma bateria de artilharia que substituía o relógio do campanário da Igreja a dar horas. 

Durante a noite, de hora a hora, lá se disparavam uns obuses para a serra do Mapé, fazendo estremecer tudo e acordando toda a gente. 

Toda a gente talvez não, mas pelo menos aqueles que como eu, não estavam habituados aquele estranho modo de dar horas. 

Quando o vento soprava mais forte, o feijão macaco atacava todos.

O aquartelamento até tinha uma porta de armas com uma cancela de pau, para não deixar entrar intrusos no recinto. 

Aquilo parecia ser a sério.


No outro extremo da mesma pista a cerca de 2 quilómetros, eram as instalações e comando do Esq., Cav. 1 que, incompatibilizado com o comando do Batalhão, era constituído por quatro tendas cercadas por uma corda, cerco interrompido pela entrada guardada por um garboso soldado também para impedir entradas de intrusos sem prévia autorização do capitão.

O gabinete do sargento amanuense era em cima de uma Mercedes Benz de seis toneladas, onde se sentava sobre umas caixas de madeira cheias de granadas de morteiro e escrevia à máquina e tratava de toda a papelada com o esmero possível.

Um belo dia aproximam-se dois homens da sentinela do Batalhão de Nangololo e perguntam pelo Comandante. 

Uma pergunta tão estranha num dia tão normal fez com que a sentinela lhes respondesse: “- Eh! Pá, o que é que vocês querem?”

“Queremo-nos entregar!”

Só depois é que a sentinela reparou que as armas dos dois não eram iguais à dele, mas sim Kalashnikovs russas.

Apontou-lhes a G3 assustado, eles entregaram as armas e lá chamou alguém para os acompanhar ao Comandante.

Eles, dois militares da Frelimo, aproveitaram a confusão que havia na pista de Nangololo passaram pelas nossas seguranças, e no meio dos nossos militares para se entregarem.

Se não se tivessem apresentado, teriam almoçado na cantina dos nossos soldados, dormido na camarata e podiam ter seguido viagem no dia seguinte.


Haviam casos anedóticos destes. Já tinha acontecido um ano antes em Nova Guarda. 

Estávamos sentados à porta de uma cantina a comer a ração de combate e aproximam-se de nós dois africanos, dirigem-se ao Alferes que estava sem os galões e dizem-lhe: vimo-nos entregar. Entregaram-nos as armas e levamo-los para Vila Cabral. Como sabiam quem era o alferes se estava sem galões?


Mas, voltando a Nangololo.

A CCS (Companhia de Comando e Serviços) fez uma tentativa de levantamento de rancho (greve à alimentação) e, de castigo, foram mandados fazer um patrulhamento a pé no mato. 

Estes militares não saíam habitualmente do aquartelamento.

Após duas horas de caminho, foram emboscados. 

As rajadas ouviram-se perfeitamente no Quartel e o capitão Faria Afonso, meu comandante, que tinha a sua tenda de comando no extremo da pista de aviação de Nangololo, mete a Panhard a corta mato, conforme pôde, pois haviam umas clareiras próximas do Quartel onde tinha sido uma antiga machamba. 

Cruza-se com os militares da CCS que já vinham de regresso com um ferido ás costas.

O Capitão Faria Afonso tenta encontrar os atacantes pois segundo ele deveriam ainda andar por perto, mas encontra apenas um acampamento abandonado com algumas palhotas e sepulturas.

O acampamento era, provavelmente, utilizado pelos guerrilheiros que ao aperceberem-se da aproximação da companhia de Nangololo, abriram fogo sobre os militares desprevenidos, atingindo um deles.

Os guerrilheiros quando sentiram a Panhard fugiram levando consigo tudo o que puderam deixando para trás, além dos mortos sepultados, as palhotas e um casal de velhos que devido à avançada idade não os puderam acompanhar.

Os militares do Esquadrão destruíram tudo, queimando as palhotas e destruindo as sepulturas.

Isto aconteceu, dois dias antes da Frelimo colocar na picada habitualmente patrulhada pelo Esquadrão, as bombas que a nossa Força Aérea largou e não explodiram.



III - 17 de julho de 1970

Nesse dia 17 de julho de 1970, uma patrulha composta por duas Panhards, uma Berliet preparada para rebentar minas e um Unimog com atiradores, saiu de Miteda para Nangololo.

Como o percurso era curto, normalmente fazia-se a “picagem” num dos sentidos, regressando rapidamente para não “dar tempo aos guerrilheiros colocarem minas”.



Mas nesse dia, os militares demoram-se mais tempo em Nangololo do que o normal e, no regresso, a primeira Panhard cujo chefe de carro era o Furriel Milº. Carlos Alberto Almeida Dias, conduzida pelo Daniel Viegas fez explodir uma bomba. 

O cesto (torre) da Panhard foi arrancado do resto da estrutura e projectado a cerca de vinte metros ficando a arder com dois militares lá dentro enquanto as munições e granadas que transportava explodiam e a gasolina fazia arder tudo, não deixando que alguém se aproximasse dos destroços. 

O Viegas, recebeu sob si o impacto directo da bomba e o seu lugar de condutor “abriu-se” como se de uma lata de sardinhas se tratasse.

O soldado condutor do rebenta minas, o Matos, também morreu com um estilhaço da explosão.

Quem testemunhou o estado em que ficaram os corpos da tripulação da Panhard, fez-me um relato que não me atrevo aqui a reproduzir. Os militares sobreviventes ficaram em estado de choque sem saber que fazer.




Quando em Nangololo se soube do desastre, foram dadas ordens para a coluna regressar, mas o capitão Faria Afonso não as acatou dirigiu-se para o local do rebentamento e deu ordens para que se avançasse. 

O Capitão Faria Afonso já tinha idade para ser Major, mas alguns castigos atrasaram a promoção. Tinha-lhe aparecido a oportunidade de ser promovido por bravura e distinção.

O seu condutor de Panhard, o soldado Bramão Miranda traumatizado com o sucedido, implorou ao capitão que voltassem para trás. Mas este insistiu para que se contornasse o buraco causado pela explosão e avançasse. 

O Bramão responde-lhe: “Meu capitão, é melhor mandarmos fazer picagem antes de avançarmos, podem haver mais minas por aí.” 

Ao que o capitão lhe responde: “Se estás com medo, sai daí, conduzo eu a Panhard”. 

O Bramão deu o seu lugar ao capitão e chorou de raiva. 

Todos sabíamos que ele era um valente soldado, nunca tinha medo ou não fosse transmontano. Nunca ninguém lhe tinha dito que era covarde. 

Antes do capitão arrancar com a auto-metralhadora, o Bramão, a chorar, subiu para o lugar do capitão. 

Poucos metros mais à frente uma nova explosão sob a Panhard, destruindo-a e com ela os seus ocupantes.

Quando chegam reforços de Miteda, recolheu-se conforme se pôde o que restava dos corpos dos seis tripulantes das Panhards e do condutor Matos da Berliet rebenta minas.

Mais à frente, no sentido Nangololo - Miteda, após picagem, foram encontradas mais duas bombas da nossa Força Aérea, “ligadas” a duas minas anti-carro cada uma delas.

Só assim soubemos o que provocou a destruição das Panhards, caso contrário, só poderíamos especular.

Nessa noite ficaram dois furriéis e alguns soldados a guardar os destroços e o que restava dos corpos. Hoje passados 50 anos, os furriéis, continuam a fazer tratamentos psiquiátricos.

Há quem diga, mas isto são suposições, que esta acção da Frelimo que já estava numa fase de retirada do planalto, foi a retaliação contra o Esquadrão, pela acção levada a cabo pelo capitão Faria Afonso, dias antes, no acampamento encontrado próximo de Nangololo.

Eu soube dos acontecimentos nesse mesmo dia à noite. 

Estava em Muidumbe e liguei o C42, rádio de FM da Panhard, tentando ouvir as conversas dos guerrilheiros que comunicavam nesta onda de frequência. 

Mas, acabei por sintonizar os meus camaradas de Nangololo e Muidumbe a falar sobre estes acontecimentos. 

Comuniquei-os aos meus camaradas de Muidumbe que também ficaram em estado de choque.

No dia seguinte de manhã, quando o 1º pelotão que estava em patrulha regressou, saiu o 2º pelotão para a picada da Capoca, como se nada tivesse acontecido.



Passados cinquenta anos, ponho-me a imaginar como seria bom beber um copo com o Daniel Viegas como faço com o Mealha, passar um fim de semana no Alqueva com o Almeida Dias, como faço com o Viriato ou dar um abraço ao Bramão com dou ao Banza.

Estes homens partiram prematuramente, mas procuro imaginá-los com os cabelos brancos filhos e netos, como eu. 

É bom que alguém os recorde pois eram militares destemidos, disciplinados, extrovertidos e duma coragem a toda a prova.

O Capitão Faria Afonso recebeu uma Cruz de Guerra de 1ª classe por este “ato de bravura.”

Os outros que com ele morreram, apenas foram vítimas das loucuras dos homens.

Já quase ninguém fala deles.



Nesse dia 17 de julho de 1970 morreram do Esquadrão de Reconhecimento de Cavalaria 1 de Moçambique, os seguintes sete militares:


1-Capitão Jaime Alvim Faria Afonso, natural de Lisboa;
2, Furriel Carlos Alberto Almeida Dias. natural de Lourenço Marques;
3- Soldado Duarte Tomás Bramão Miranda, natural de Bragança e residente em Lourenço Marques;
4- José Manuel Matos, natural de Lisboa e residente em Lourenço Marques;
5- Daniel Viegas, natural de Olhão e residente em Lourenço Marques;
6- 1º cabo Victor Manuel Silva, natural de Lisboa e residente em Lourenço Marques;
7- 1º cabo Mangas Pereira, natural de Ourém e residente em Lourenço Marques.

Manuel Serafim de Matos Sousa
Ex-furriel Milº de cavalaria

Notas finais:
O camarada Manuel Pereira Martins no seu livro “Memórias de um Tempo Perdido” também descreve este acontecimento de 17-7-1970. 
São factos que ambos acompanhamos e que não podem ser plagiados. 
Apenas descritos com mais um ou outro pormenor;

Há quem defenda que esta guerra deveria ter continuado;

Mas a guerra continua em Cabo Delgado mas com outros protagonistas,

domingo, 16 de dezembro de 2018

COMO SERIA SE TIVESSE MANDADO DESCARREGAR O EXCESSO DE AREIA?, por José Augusto Baptista


DIA 13 SEXTA FEIRA, DIA DE SORTE OU DE AZAR?

13 DE AGOSTO DE 1966 SEXTA FEIRA 
No dia 12, pelas 10 horas da noite, desloquei-me à caserna do Pel. Rec. e pedi para estarem prontos às quatro da manhã pois íamos sair de carro. 
Às quatro horas da manhã do dia 13 sexta feira, quando me aproximei do meu carro, notei logo que estava muito mais baixo e com as molas completamente vergadas com o peso da areia, ou seja era mais areia que carro. 
Perguntei quem tinha feito aquilo e a resposta foi muito rápida: Fomos nós, depois do Baptista ter saído da caserna, o Carlitos (condutor do carro) disse que quer fosse em primeiro quer fosse em último ia rebentar uma mina. 

Saltamos todos para cima da areia e a coluna iniciou a marcha em direcção ao rio Rovuma com a secção do alferes Santos a seguir ao rebenta-minas, Uma berliet com nativos e atrelado, a secção do furriel Figueiredo, uma berliet com nativos e atrelado e nos em último lugar. 

Texto alt automático indisponível.

A cerca de 4 Kms, em fracções de segundos, apercebi-me de uma nuvem preta a subir. 
Parei no tempo e quando voltei à realidade estava em pé dentro de um buraco que me cobria até aos ombros. 
A única coisa que via era um carro completamente desfeito. 
Com a noção do perigo, saltei do buraco, peguei na primeira G3 que encontrei e, do meu pessoal, não via ninguém. 
A poucos metros de mim surgiram gritos de terror: Meu furriel, estou sem pernas. 
Corri para o homem e enquanto examinava as suas pernas pedia-lhe silêncio explicando-lhe que não tínhamos protecção nenhuma. 
Como não notei qualquer anomalia nas pernas mostrei-lhe a direita e depois a esquerda, a sua alegria foi de tal ordem que quebrou todo o silêncio com fortes gargalhadas de satisfação. 
As outras duas secções do pelotão, após o rebentamento, correram em defesa do rebenta-minas, nunca imaginando que fosse atrás, traziam um grande pedaço de pneu que foi cair à frente do rebenta-minas e já todos nós estávamos refeitos do acontecido, sem ferimentos de maior.

COMO TERIA SIDO SE NÃO FOSSE SEXTA FEIRA 13? 
COMO SERIA SE TIVESSE MANDADO DESCARREGAR O EXCESSO DE AREIA?

domingo, 18 de novembro de 2018

O Chico mecânico..., por José Nobre



José Nobre
15/09/2018
Nunca Atirei Pedras Aos Cães.
Preâmbulo.
"Quando começamos a recordar, perdemos a noção do tempo e do espaço.
Voltamos ao tempo em que não havia tempo."

Foi esta a frase de um ex-Alferes.,durante o último almoço, de confraternização, da Companhia de Cavalaria 1728, realizado no passado mês de Junho/2016.
- Marroquino, lembraste do Chico mecânico de Moatize?
- Lembro-me, mas nunca mais pensei nele. Devo ter alguma coisa anotada num papel qualquer.
- Então verifica se tens. Lembraste da primeira vez que o vimos, na nossa chegada ao quartel de Moatize?
Fui verificar, e tenho um único apontamento no famoso caderno das dividas, e lá está." 
Pagar as bananas e o ananás ao Chico mecânico - 12$50."
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" A guerra dá uma excelente história,mas a paz é uma leitura
aborrecida."
( Thomas Hardy - 1840 - 1928 )
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Moatize - Distrito de Tete - Moçambique
Maio de 1968 a Março de 1969.
A primeira vez que o vimos, foi no dia da nossa chegada a Moatize. 
Descemos do comboio na estação, onde nos esperavam várias viaturas, para nos levarem para o quartel. 
Fomos render uma outra companhia militar, que estava de partida para outras paragens.
Lá estava o Chico mecânico, evidentemente que não se chamava Chico. 
Era ele que ajudava os condutores e os mecânicos, no desempenho de algumas funções, tais como...encher pneus, mudar rodas e outras coisas mais ou menos pesadas.

A idade?
Não tinha idade o Chico.
Talvez uns 30 anos.
Já tinha visto desfilar muitas companhias militares em Moatize. 
Falava bem português e era de étnia Nyunge ou Nhungé, nunca chegamos a perceber.

Todas as manhãs, lá estava o Chico à porta do quartel, juntamente com as lavadeiras que nos vinham entregar a roupa lavada.
Só ele é que tinha autorização para entrar no quartel. 
Dirigia-se para o parque automóvel, que mais não era, que um telheiro coberto com chapas de zinco e assentes em barrotes de madeira.
Nada tinha de parque automóvel, mas essa era outra questão.
Gostava de pão com marmelada, e do café do pequeno almoço.
Tinha sempre a sua parte, ninguém se esquecia dele, por vezes até sobrava, e ao final da tarde, ele metia tudo dentro de um pequeno saco e levava para a palhota.
Se tinha mulher?
Nunca perguntamos.
Se tinha filhos?
Nunca nos disse.
Sempre pontual.
Almoçava e jantava no quartel, junto da cozinha e sentado num degrau.
- Soldado não gostar da comida da tropa? Comida ser boa.....

De vez em quando e quando era necessário ir à estação buscar mantimentos que tinham chegado no comboio,o Chico também ia, sentado num dos bancos laterais do Unimog, vaidoso e a fazer adeus aos conterrâneos.

Fartava-se de trabalhar o Chico.



Um dia decidimos ensinar o Chico a conduzir.
Primeiro num Jeep, tipo daqueles americanos, que só tínhamos visto nos filmes, antes de embarcarmos para África.
Depois e como já sabia dar umas voltas, passou para o Unimog.
Sempre acompanhado, chegava ao final do parque, metia a marcha-atrás e voltava ao local de partida, não mais do que 300 metros.

Chegou o dia de fazer o percurso sozinho.
Todos os condutores assistiam às manobras com um sorriso nos lábios.
Ficou aprovado.
Bateu com a mão no peito, gesto que fazia sempre, quando recebia qualquer coisa, ou quando estava contente e gritou.
- Eu ser condutor como o branco, e abraçou a malta toda.

O Chico,tinha acabado de ganhar o seu campeonato.

Passados alguns dias, o comandante da companhia, ficou a saber da nossa história, e das aulas de condução do Chico Mecânico.
Irritou-se, chamou nomes a todos, prometeu carecadas,mas no final, acabou o discurso dizendo: Há coisas piores.

Não me lembro se paguei as bananas e o ananás ao Chico Mecânico, No caderno das dividas não aparece a menção "pago."

PS - Esta história nunca seria contada, sem a ajuda de todos os meus companheiros, sobretudo os condutores,que estiveram presentes no último almoço da nossa companhia.
Obrigado a todos.

sexta-feira, 2 de novembro de 2018

Juro Que Vivi..., por José Nobre

Juro Que Vivi.......
Moçambique – Agosto 1967 – Outubro 1969.
A Coluna militar – Outubro de 1967.
Não sei porque fiquei dois meses em Lourenço Marques. 



Não sei porque fui um dos trinta condutores escolhidos para levarem viaturas para o norte de Moçambique, para Cabo Delgado. 
Uns dizem que foi o destino, outros que foi uma sorte, outros que foi um azar do caraças, fazer mais de 3.000 Kms de picadas, até Mueda, passando pela Beira, Nampula e Nacala. 
Fiquei a conhecer um pouco melhor aquela terra, as suas gentes e a vida dos colonos, aqueles que viviam fora das grandes cidades, que viviam e mandavam nas grande fazendas, onde trabalhavam centenas de negros, quase escravos....quase. 

O que vi...o que vivi nunca mais esquecerei. 
Conheci aquele povo africano, aquelas crianças que se aproximavam de nós, quando parávamos para comer, para abrir mais uma ração de combate, aqueles olhos, aquele sorriso e aquelas barrigas dilatadas....crianças, como as nossas, como as brancas, que não falavam a nossa língua, mas que nos diziam tudo com o olhar.

Dormimos em fazendas enormes, onde trabalhavam centenas e centenas de negros, um trabalho quase escravo, de sol a sol, sem assistência médica ou outra qualquer,...quase escravos....quase.
Falamos com fazendeiros, quando éramos convidados a beber um café, ou a beber uma cerveja acompanhada de castanha de cajú assada. 
E nessas ocasiões falávamos de tudo, das negras, dos putos mulatos, dos “cabaços” comprados por vinte escudos, das noites nas palhotas e da boa vida dos proprietários, muitos deslocavam-se de avião, tinham os filhos a estudar nas grandes cidades onde também tinham apartamentos. 

Numa das fazendas a uns 200 Kms da cidade da Beira, o capataz dessa fazenda, entre um trago na cerveja e uma fumaça no cigarro disse-nos. - Os gajos (trabalhadores) são pagos sempre em moedas, nada de notas...as notas não fazem barulho e eles ficam contentes com o barulho das moedas.

Juro que vi...juro que vivi. 

Paramos para almoçar à beira da picada, entre a cidade da Beira e Nampula, um calor do caraças, a água do cantil quente, mais uma ração de combate...mais uma. 

Estava encostado à roda da frente do meu Unimogue, ao meu lado o meu irmão Fernando Moreira e o Quintela, denominado o Bimbo o gajo de Vila do Conde, o gajo que trocava os “V” pelos “B”....o gajo que tinha um coração do tamanho de um comboio. 

Nobre, já viste aqueles dois putos? 
Um menino e uma menina....nus, parados a uns dez metros de nós, olhando-nos fixamente, esperando que atirássemos as latas de conserva vazias para o mato, para as irem buscar e com os dedos agarrarem o que restava da gordura das mesmas. 
Roeu-nos a consciência, o Quintela foi o primeiro a falar – Foda-se, eu não posso ver isto, Quem tem bolachas? 
Vamos dar de comer aos putos. 
E demos, apareceram mais uns quantos que levaram o que restava das rações de combate...e lá foram...e eu? 
Eu chorei ,agarrado ao volante do meu Unimogue, enquanto fumava um cigarro, vendo os putos afastarem-se a caminho de nenhures.

Não. 
A minha guerra não foi só uma guerra de armas....foi uma guerra de muitas “merdas” que ainda hoje me roem a consciência, me questionam......e eu faço de conta e digo para mim mesmo, marroquino, não foste tu que lá estiveste, foi um gajo com um pouco mais de vinte anos, imaturo e branco.

Dedicado ao, Amável Lopes Baptista, ao Bibiu, ao Camilo Alves e ao alferes, Guerra.
Lourenço Marques – Beira – Nampula – Nacala – Mueda . Muidumbe . Miteda – Nangololo – Nangade - Pundanhar – Palma – Mocimboa da Praia – Moatize – Tete - Bene . Zobué – Cassacatiza e todos os outros locais dos quais já me esqueci dos nomes......e todos os outros dos quais não me quero lembrar.

Bem Hajam.

segunda-feira, 29 de janeiro de 2018

Uma visão sobre o livro "A Guerra na Picada" de Rodrigues Soares, por Catarina Vidazinha


de Rodrigues Soares

Comentário da leitora Catarina Vidazinha que agradeço. 
Não posso deixar de enaltecer a forma como esta Senhora soube intrepertar esses tempos e ousou falar deles com clareza e verdade. 

Bem haja.

Olá senhor Soares!
Em primeiro lugar desejo que se encontre bem juntamente com toda a sua família e, desde já, os meus votos de Boas Festas para todos.

Breve comentário à sua obra A Guerra na Picada:

Começo por dizer que não fiz uma análise literária do seu livro, até porque, ele não é propriamente um romance, se tivermos em conta o sentido tradicional do termo. 
Não tome estas minhas palavras como depreciativas do valor que ele possui. 
Considero que fez muito bem em escrevê-lo e publicá-lo.



A verdade nua e crua sobre o tema “A Guerra Colonial” é e será sempre um tema polémico, sobre o qual muita gente não terá qualquer vontade de que ele venha a lume. 
Nem todos na sociedade portuguesa estão preparados para enfrentar os factos tais como aconteceram.

O que vejo no seu livro é um narrador/personagem que relata, com a verdade de quem viveu, os episódios de uma guerra desigual, profundamente injusta para os dois lados intervenientes, desde o início, condenada à derrota e que evidencia isso mesmo.

A forma como apresenta os acontecimentos não é em nada diferente da forma como eu e os meus familiares mais chegados os sentimos ao longo dos anos em que a guerra durou.
Desde o início, quando lemos as primeiras notícias dos acontecimentos em Angola, que são apresentados como o começo dessa guerra, lembro-me de ouvir o meu pai dizer o seguinte: “O meu Gualberto ainda lá vai parar!” 
Tinha ele então, apenas dezasseis anos. 
E foi mesmo. 

Acompanhámos todo o processo tal como muita gente que viu partir os seus filhos, irmãos, maridos, namorados e amigos. 
Vimos partir e chegar muitos, alguns estropiados no corpo e na alma e, de muitos outros, só as lágrimas restaram e a lembrança deles.

No entanto, sei perfeitamente que nem toda a gente era capaz de intuir o que se passava neste país e, muito menos o que se passava em paragens tão longínquas quanto África. 
Lá, também, muitos dos que viviam nas cidades não tinham a noção das dificuldades que a maioria dos soldados vivia e nem sequer se davam ao trabalho de pensar na impossibilidade de um tão pequeno país fazer face com sucesso a uma guerra tão cruel para os dois lados e que se desenrolava em tantos territórios tão distantes uns dos outros e tão imensamente maiores que o nosso país e, tão desconhecidos para os jovens portugueses que para lá eram destacados à força.

Na minha modesta opinião, a realidade sempre ultrapassará a ficção, no entanto, a visão da guerra que nos dá no seu livro não poderia estar mais próxima de tudo o que lá se passou.

Muitos dos que viviam então nas antigas colónias, nas cidades e cá, neste pequeno país, viam apenas os seus interesses imediatos. 
Era cómodo aceitar as “verdades” indiscutíveis que lhes eram incutidas pelo Estado. 
Daí que nem sequer tentassem sair da comodidade das suas vidas para olhar para o que se passava para lá dos seus limitados horizontes. 

A guerra, para muitos deles, não existia, nem nunca existiu. 
Basta isto para que o seu livro faça todo o sentido.

Na chamada metrópole, grande parte do povo tinha alguma consciência de que a guerra existia, mas era algo que a distância atenuava. 
Só a sentia com mais força, aqueles que lá tinham algum ente querido. 
A ignorância em que o povo vivia nem sempre deixava ver o que se passava tão longe. 
Apenas quando chegava a notícia da morte de algum jovem tomavam verdadeira consciência de que na realidade havia uma guerra terrível.

A rádio e a televisão serviam os interesses políticos do regime salazarista que se esforçava para esconder o óbvio: impossível manter uma guerra em frentes tão diversas, tão distantes e ainda tão pouco conhecidas. 
Só a loucos ou a alguém a quem não interessava minimamente a vida do seu povo e o melhor dele, a sua juventude, poderia teimar em continuá-la.

Infelizmente ainda há gente saudosista dessa situação, agarrada à ideia de um Portugal pretensamente grandioso, que lamenta a perda das antigas colónias. 

A guerra colonial tal como outros temas que são quase considerados tabu (ex.: a escravatura) deveriam ser mais estudados e desenvolvidos. 
Eles existiram, nós não temos a culpa disso. 
As novas gerações precisam conhecer. 
Tudo isso faz parte da nossa história e sobre a guerra colonial creio que haverá muitos testemunhos mas ainda muito pouca coisa escrita.

Só posso dizer mais uma coisa: Obrigada pelo seu livro, gostei imenso.

Catarina Vidazinha

terça-feira, 16 de fevereiro de 2016

O que sentimos, por José Monteiro



Mais um pequeno texto sobre o período que passei em Mueda.

O que sentimos........

O que sentimos perante uma distração, onde não ouvimos uma ordem militar e nos dão um violento soco, que quase nos leva ao chão ?????

O que sentimos quando, após uma emboscada, percorremos toda a coluna perguntando se houve problemas e nos dizem - suba para a Berliet - e vimos um camarada estendido, já morto, quase a olhar para nós ??????

O que sentimos quando estamos perante um condutor, que o seu carro tinha acabado de rebentar uma mina, e que estando á espero do heli, para evacuação, apenas nos diz - Tenho imensa sede - e quando chegámos ao aquartelamento soubemos que tinha falecido ???????


O que sentimos quando montamos uma armadilha, escolhemos o local de provável passagem, e semanas depois encontramos um morto, civil, fruto da nossa ação militar ?????????


O que sentimos quando praticamos atos, em situação de guerra, que normalmente não praticaríamos ???????


O que sentimos quando estamos alinhados, frente ao quartel, prontos para a nossa última operação e ouvimos do responsável hierárquico - Esta é fácil, depois vamos para Sul - sabendo nós que para ele as operações foram sempre fáceis, pois "baldou-se " a quase todas ???????
                 

O que sentimos quando estando no aquartelamento, vimos passar um helicóptero em direção ao hospital????
                 

O que sentimos quando vimos pela televisão, ex-camaradas que fizeram o mesmo percurso e que hoje andam errantes pelas ruas, sem abrigo ???????
                 

O que sentimos, quando vamos pela primeira vez de férias, saindo daquele inferno, nos encontramos já na cidade e ao atravessar uma rua ao ouvir o simples buzinar, vamos imediatamente com as mãos à posição, onde normalmente, encontramos a G3 ??????
                 

Sentimos ódio, revolta, interrogação, abandono............
                 

O que sentimos, passada essa tormenta, passados esses anos e nos encontramos em reunião anual ?????????
                 

Sentimos quentes abraços, alegria de estar novamente com os "velhos" companheiros de armas.

Contamos alguns factos novos, outros são contados de maneira diferente, mas essencialmente sentimo-nos BEM.

E o futuro ??????

Será, certamente, MELHOR, pois já há NETOS nos nossos encontros e eles comunicam com os "velhos" combatentes através da net.

Linda-a-Velha Agosto de 2011
 
 
Antonio Nascimento o que diremos.
Diremos que todas as guerras são feitas por interesses de uns poucos pra prejuízo de milhões.
 

 
Antonio Nascimento que diremos que não queremos os nossos filhos e netos passem por aquilo que passámos.
Que diremos que fomos carne para canhão para o ego das sanguessugas e...
 
 
Antonio Nascimento tubarões do nosso País.
Que diremos que eles façam o dever deles e sejam cidadãos de direito e consigam correr com a escumalha que nos governa.
 

 
José Da Silva Dias Enquanto lia tuas linhas senti o tempo que ao tempo sentia o que sentia na altura que acontecia em ti...
Um abraço pela relembrança de tempos idos mas atualíssimos !
 
 

 
Rodrigo Crispiniano Saraiva Mendonça Gostei muito do texto e reavivou-me memórias.
 
 

 
Fernando José Alves Costa Belo texto, obrigado amigo Jose Monteiro por me fazeres pensar em quanta hipocrisia ainda hoje vivemos.
 
 

 
José Alves Alves Boa tarde José Monteiro.
Li o teu relato com toda a atenção.
É um desabafo real, que nos marca muito. 
Sem pieguices posso afirmar-te que chorei, pois ao ler o que escreveste, senti-me totalmente transportado para o cenário que viveste.
Posso dar-te um conselho?  
Escreve um livro e atira cá para fora tudo quanto tens acumulado há já mais de 40 anos.
Eu assim fiz, escrevi o livro que me identifica (em vez da minha foto) e depois de o ter escrito, senti um enorme alivio no dia do lançamento.
A partir daí, todos os traumas que eu tenho, passei a partilhá-los com quem o quiser ler, especialmente, filhos, neta, amigos e todos quantos o lerem.
Agora posso morrer tranquilo, pois aquela enorme pressão que sinto permanentemente, não está apenas comigo.
ESCREVE E ATIRA CÁ PARA FORA TUDO QUANTO ESTÁ A MAIS.
Um forte abraço.
ALVES
 

 
Jose Monteiro Obrigado José Alves Alves, mas isso de escrever um livro não tenho fôlego (palavras) para isso.
 
 
Jose Capitao Pardal Jose Monteiro um sentir que partilho contigo...
Irá para o meu blog, se não vires inconveniente...
Conseguiste expressar o sentimento da generalidade daqueles que passaram pelo mesmo...

 
Jose Monteiro Obrigado.
Estás completamente à vontade, é com muito gosto.
 
 
Jose Caramelo José Monteiro
O que sentimos quando alguém nos acorda e diz vem comigo ao cemitério porque eles não estão bem mortos e dispara sobre as campas.
 
O que sentimos quando numa noite estás beber e cantar com um amigo e no dia seguinte este está numa caixa de pinho.
 
O que sentimos quando alguém espera pelo Hélio, traz um bocado do pé de um camarada para enterrar e por ser hora de almoço o coloca em cima da mesa onde nos encontramos a comer.
ETC.
 
Só quem esteve em MUEDA consegue saber.
 
Porque ainda acordo de noite e não consigo dormir mas o pensamento vai para essa Terra PORQUÊ?
 
 
Jose Monteiro Aquilo não esquece, está sempre presente.
Um abraço.
 
 
Jose Caramelo Por mais voltas que dês quem lá esteve jamais esquecerá.
 
Duilio Caleca E porquê ???' 
Para nada, pura e simplesmente para destruir uma geração de jovens enquanto outros menos jovens se empanturraram com o sangue fresco da "manada".
 
Jose Monteiro Foi tudo isso, até que rebentou, já ninguém aguentava mais.
 
 
José Alves Alves Tens, tens.
É preciso algum eu sei, mas noutras ocasiões tiveste fôlego para suportar outras faltas de ar, para ajudares a resolver assuntos mais complicados.
FORçA amigo !