domingo, 14 de dezembro de 2014

Ventos de guerra, Cancioneiro do Niassa

De quantos sacrifícios senhores que em mim mandam
é feita a vida de um soldado
De quantas noites perdidas no mato
é feita a vida de um guerreiro

São ventos de guerra
Não penses amigo
Que a hora que passa é de perigo
Que a hora que passa é de perigo

De quantos tiros senhores que me ordenam
é feita a vida de um soldado
De quantas minas senhores que em mim mandam
é feita a vida de um guerreiro

Quem limpa senhores as manchas de sangue
que os jovens deixam na picada
Quem limpa senhores lágrimas choradas
por noivas e mães adoradas

São ventos de guerra
Não penses amigo
Que a hora que passa é de perigo
Que a hora que passa é de perigo

De quantas saudades senhores que em mim mandam
é feita a vida de um soldado
E quantas loucuras senhores que me ordenam
contém a vida de um guerreiro

De quantos desgostos senhores que em mim mandam
é feita a vida de um soldado
E quanto vinho senhores que me ordenam
se deve beber p’ra esquecer

São ventos de guerra
Não penses amigo
Que a hora que passa é de perigo
Que a hora que passa é de perigo

E quantas vezes senhores que em mim mandam
se deve expor a vida ao perigo
E quantos gritos se devem soltar
p’ra se acreditar que está vivo

Quantas ideias tombadas na luta
quantas esperanças perdidas
Quanto sangue deve um jovem verter
antes que o chamem de homem

São ventos de guerra
Não penses amigo
Que a hora que passa é de perigo
Que a hora que passa é de perigo